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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

COMO SE PROCLAMOU A REPÚBLICA !?



Leia neste artigo do Carlos Chagas, extraído de um historiador, a verdaderia história da Proclamação da República.
Transcrevemos somente algumas partes do artigo, para ler tudo clique no link abaixo e boa reflexão.

http://www.pitoresco.com.br/historia/republ01e.htm


O COMEÇO DO FIM


Desde a noite anterior que três regimentos haviam-se deslocado dos quartéis em São Cristóvão para o Campo da Aclamação, depois Praça da República e mais tarde Campo de Santana. Duas dessas unidades eram de Artilharia, com canhões e cunhetes de munição.

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A INÉRCIA DA GUARDA MILITAR

O ministério encontrava-se reunido bem defronte à tropa revoltada, no prédio do antigo Ministério da Guerra, depois demolido e substituído pelo palácio atual, ao lado da Central do Brasil. Faltava apenas o ministro da Marinha. Ouro Preto, cioso de sua autoridade, chamou à janela do segundo andar o secretário-geral do Exército, obviamente legalista, general Floriano Peixoto.

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A MULHER DO MARECHAL

A madrugada do dia 15 ia alta e nada acontecia. Foi quando dois dos majores comandantes da rebelião chegaram à conclusão de que nada aconteceria mesmo se não dispusessem de um chefe de invulgar popularidade para conduzi-los.

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PRIMEIRA VÍTIMA: A VERDADE

O marechal Manoel Deodoro da Fonseca, de pijamas, acordou e quis saber o que se passava. Um dos majores mentiu, informando que naquela manhã Ouro Preto assinaria decreto dissolvendo o Exército. O velho soldado irritou-se, vestiu a farda e dispôs-se a liderar o movimento para a substituição do primeiro-ministro. O imperador que nomeasse outro.

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DEODORO, O MONARQUISTA

Desde o Paraguai que o marechal introduzira um novo costume: em vez de bater continência, à maneira dos ingleses, tirava diversas vezes o quépi da cabeça e o abanava para a tropa. Repetiu o gesto, gritando alto para ser ouvido: "Viva o imperador! Viva o imperador!"

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DEODORO, O REPUBLICANO

Foi quando Ouro Preto, irritado, deu um soco na mesa e exclamou: "Olha aqui, marechal, sacrifício muito maior do que os senhores fizeram nos pântanos do Paraguai estou eu fazendo agora, ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!"

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FINALMENTE, UM TIROTEIO

(...) Em cerca de 40 minutos o marechal Deodoro da Fonseca mudara de idéia. Chefiara um movimento militar rebelde para depor o primeiro-ministro, visconde de Ouro Preto, mas terminara depondo o imperador e proclamado a República.

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O AMIGO DO REI

Os republicanos reuniram-se na casa de Benjamin Constant, em Laranjeiras, para preparar os decretos necessários ao novo regime. Eram poucos, além do anfitrião: Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, o major Sólon Ribeiro, Aristides Lobo (autor da frase posterior de que o povo assistiu bestificado à proclamação da República) e mais dois ou três.

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PRISÃO DOMICILIAR

Dispunha-se D. Pedro II a continuar a prática de muitos anos: se havia reclamações contra os primeiros-ministros, simplesmente os demitia e substituía por outros, até adversários. Ao descer a serra estava disposto a mandar Ouro Preto passear e até chegou a comentar com auxiliares que nomearia o gaúcho Gaspar de Silveira Martins. Alguém o avisou da impossibilidade, porque Silveira Martins, além de inimigo declarado de Deodoro, estava inatingível. Embarcara dois dias antes, de vapor, do Rio Grande do Sul para a capital federal. Só chegaria dentro de uma semana ou mais.

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A SEGUNDA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Enquanto isso se espalhava a notícia da proclamação da República. Na Câmara de Vereadores do Rio um vereador republicano e jornalista, José do Patrocínio, convocou os colegas a aderirem ao novo regime. Juntou pequena multidão e conclamou-a a comparecerem à casa de Deodoro, para homenageá-lo. Chegaram ao fim da tarde, quando o marechal acordava.

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UM PEDACINHO DO CHÃO DO BRASIL

(...) Na tarde de 15 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca quis ou não voltar atrás no golpe perpetrado de madrugada, quando o sol começava a nascer? De qualquer forma, ao acabar com o Império, o generalíssimo cedeu ao império das circunstâncias.

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BANDEIRA PROVISÓRIA

Foi quando um cricri voltou à questão da família real. Havia, no porto do Rio, um pequeno navio em condições de levar D. Pedro II até um vapor maior, estacionado nas costas da Ilha Grande, e que logo seguiria para a Europa. Estava tudo acertado quando veio a pergunta: "E sob que bandeira o imperador viajará? Não pode ser a bandeira do Império, seria uma desmoralização para nós!".

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BRASIL DE ONTEM E DE HOJE

Relembramos, nos últimos três dias, este ou aquele detalhe da proclamação da República, tanto em homenagem ao 15 de novembro, como por conta da necessidade de expor que boa parte de nossa História tem acontecido por acaso. Por audácia, precipitação ou desígnios do destino, mas quase tudo sem planejamento ou meditação.

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O POVO BESTIFICADO

Da mesma forma a ascensão do presidente Lula ao poder. Ao contrário do que se propaga, ele não foi eleito por suas promessas de mudar tudo, a começar pela política econômica. Porque as elites já sabiam que não cumpriria as promessas. O povo foi mais uma vez enganado. Terá ficado bestificado, depois, ao perceber que o governo do PT repetiu e ainda repete em gênero, número e grau os postulados neoliberais do antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

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