Ouça agora a R10Music !

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Nova espécie de flebotomíneo é descoberta no Amazonas

Quando decidiu estudar, em seu trabalho de mestrado, os pequenos insetos chamados flebotomíneos – alguns dos quais transmissores das leishmanioses, a bióloga Veracilda Ribeiro Alves, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), recebeu de seu orientador, o zoólogo Toby Vincent Barrett, a sugestão de investigar a população desses insetos em cavernas da região. Vários meses após aceitar o conselho, uma surpresa: a pesquisadora descobriu nova espécie de flebotomíneo na gruta Refúgio do Maruaga, no município de Presidente Figueiredo (AM). O trabalho foi publicado na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz.


Lutzomyia maruaga emergindo (Foto: R. B. Alencar)


A cerca de 100 quilômetros de Manaus existem muitas cachoeiras e algumas cavernas de formação arenítica que fazem crescer o interesse turístico pela região por sua beleza natural. A gruta Refúgio do Maruaga é a maior delas, com 302 metros de extensão, e abriga animais como peixes, anfíbios, jacarés, tartarugas e, principalmente, morcegos, cujas fezes, conhecidas como guano, servem como alimento para as larvas de flebotomíneos, tornando o ambiente favorável ao seu desenvolvimento.



Com o uso de 20 pequenas armadilhas no interior da gruta, Veracilda e equipe coletaram flebotomíneos ao longo de quatro meses. Os insetos encontrados eram de sete espécies diferentes, sendo que os mais numerosos pertenciam a uma espécie até então desconhecida e que recebeu o nome de Lutzomyia maruaga, em homenagem ao local onde foi encontrada. “É interessante observar que os flebotomíneos de outras espécies foram coletados somente a poucos metros da entrada da caverna e no período noturno, provavelmente atraídos pela luz da armadilha”, ressalta a pesquisadora.



Tudo indica, portanto, que a L. maruaga é a espécie dominante naquele ambiente, tendo sido coletados mais de 400 exemplares. Uma peculiaridade é que nenhum macho foi encontrado, o que pode significar que a espécie se perpetua na natureza de forma assexuada, num processo determinado partenogênese, que já foi identificado em uma outra espécie de flebotomíneo, Lutzomyia mamedei. Para confirmar a hipótese, a equipe do Inpa coletou larvas encontradas em guano no interior da caverna e levou para o laboratório. “Após algum tempo, as larvas se tornaram fêmeas adultas e, sem um macho que pudesse fecundá-las, produziram ovos que eclodiram e cujas larvas se desenvolveram em novas fêmeas”, conta Veracilda.


Gruta Refúgio do Maruaga (Foto: F. F. Xavier Filho)


Outra característica da nova espécie de flebotomíneo é que ela não é hematófaga, ou seja, não se alimenta de sangue e, por isso, não pode transmitir a leishmaniose e não apresenta perigo à saúde humana. “Em laboratório, a L. maruaga não se alimentou. Esse processo, chamado autogenia, geralmente ocorre com insetos hematófagos, ou seja, que necessitam de sangue apenas para a maturação dos ovos. Porém, nesse caso, o inseto adulto parece ter substância de reserva suficiente para desenvolver os ovos sem se alimentar”, explica a bióloga.


--------------------------------------------------------------------------------

Copyright© - Agência Fiocruz de Notícias

Nenhum comentário:

Postar um comentário