Lutzomyia maruaga emergindo (Foto: R. B. Alencar)
A cerca de 100 quilômetros de Manaus existem muitas cachoeiras e algumas cavernas de formação arenítica que fazem crescer o interesse turístico pela região por sua beleza natural. A gruta Refúgio do Maruaga é a maior delas, com 302 metros de extensão, e abriga animais como peixes, anfíbios, jacarés, tartarugas e, principalmente, morcegos, cujas fezes, conhecidas como guano, servem como alimento para as larvas de flebotomíneos, tornando o ambiente favorável ao seu desenvolvimento.
Com o uso de 20 pequenas armadilhas no interior da gruta, Veracilda e equipe coletaram flebotomíneos ao longo de quatro meses. Os insetos encontrados eram de sete espécies diferentes, sendo que os mais numerosos pertenciam a uma espécie até então desconhecida e que recebeu o nome de Lutzomyia maruaga, em homenagem ao local onde foi encontrada. “É interessante observar que os flebotomíneos de outras espécies foram coletados somente a poucos metros da entrada da caverna e no período noturno, provavelmente atraídos pela luz da armadilha”, ressalta a pesquisadora.
Tudo indica, portanto, que a L. maruaga é a espécie dominante naquele ambiente, tendo sido coletados mais de 400 exemplares. Uma peculiaridade é que nenhum macho foi encontrado, o que pode significar que a espécie se perpetua na natureza de forma assexuada, num processo determinado partenogênese, que já foi identificado em uma outra espécie de flebotomíneo, Lutzomyia mamedei. Para confirmar a hipótese, a equipe do Inpa coletou larvas encontradas em guano no interior da caverna e levou para o laboratório. “Após algum tempo, as larvas se tornaram fêmeas adultas e, sem um macho que pudesse fecundá-las, produziram ovos que eclodiram e cujas larvas se desenvolveram em novas fêmeas”, conta Veracilda.
Gruta Refúgio do Maruaga (Foto: F. F. Xavier Filho)
Outra característica da nova espécie de flebotomíneo é que ela não é hematófaga, ou seja, não se alimenta de sangue e, por isso, não pode transmitir a leishmaniose e não apresenta perigo à saúde humana. “Em laboratório, a L. maruaga não se alimentou. Esse processo, chamado autogenia, geralmente ocorre com insetos hematófagos, ou seja, que necessitam de sangue apenas para a maturação dos ovos. Porém, nesse caso, o inseto adulto parece ter substância de reserva suficiente para desenvolver os ovos sem se alimentar”, explica a bióloga.
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