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terça-feira, 4 de março de 2014

Racismo



Ponto de Vista

O racismo é mais que uma simples herança do passado, essa questão racial é vivenciada no nosso cotidiano de diferentes formas. A notoriedade do caso do jogador Tinga do Cruzeiro, no Peru e, a condenação e a determinação da prisão imediata de uma senhora de 72 anos, condenada a quatro anos de prisão em São Paulo, publicado na “Folha de São Paulo”, Caderno Cotidiano, no último dia 21, onde deixa evidente, pelas declarações das vítimas, a omissão de policiais e autoridades em várias outras situações, que envolveram a mesma pessoa e pelo mesmo crime movimentaram a mídia jornalística e televisiva. Mas não são esses fatos, vergonhosos e lamentáveis, que vão reacender o debate público e acabar com uma questão que ainda aflige milhares de negros no país, mas uma ação orquestrada pelos ofendidos (vítimas) na exigência do cumprimento da lei. As autoridades, em casos dessa natureza e amplitude, precisam atuar com maior seriedade, adequando-se ao cumprimento da lei.

Em nosso país, facilmente identificamos amplo apontador de piadas de cunho pejorativas e termos que mostram como a altivez racial é algo torrente. O racismo é uma constituição que tem alcance intelectivo muito aberto, as pessoas não fazem questão de esconder, porque, embora ratificado como crime, as punições são muito raras. Assim, tenho duas certezas sobre o racismo no Brasil. Uma é que o racismo seguramente atinge camadas importantes da sociedade que demonstram resistência ao seu banimento no Brasil e a outra é que ele tem volume característico pela nossa histórica com reflexos de resistência ainda abrupta e de posse e superioridade.

Além de algumas perguntas, como: quais são as revelações de discriminação e racismo atualmente? E, quais são as soluções para combater o racismo? É preciso que o próprio ofendido se manifeste, procurando a justiça, sempre baseado em provas contundentes e mais, persiga o fim do processo sempre cobrando das autoridades competentes. Outro fator categórico diz respeito à união de esforços e o reconhecimento dos próprios negros, pois não é novidade que, a melhoria da classe social de alguns negros, ao mudar seu nível de renda, e, por conseguinte de condição social permanece destacada como modelo de superação e, com isso, se distanciam dos demais negros. Isso é uma realidade que é observada por nós negros, infelizmente.

De acordo com Jacques d’Adesky (2001, 137), há uma linha graduada, aprumada de importâncias de raça, na qual o branco ocupa o auge e o negro ocupa o ponto mais baixo. As linhas intermediárias são preenchidas por termos como mestiço, moreno, amarelo etc. Igualmente, a discriminação manifesta-se sempre contra um nível mais inferior dessa linha. Muitos pardos procuram classificarem-se com termos que lhes parecem soar melhor, ou menos inferiores. Referir-se a si mesmo com termos como “moreno” é uma forma de elevar-se na linha graduada, aproximando-se do branco e distanciando-se do negro. Essa disposição de arriscar ser menos negro comprova a não aceitação de sua própria raça.

Não pode prevalecer, depois de mais um século, argumentos de que seja difícil para uma sociedade que tinha a inferioridade negra como verdade incondicional, apreender, de uma hora para outra, que os negros são iguais em direitos e deveres aos de qualquer outra raça. Logo, o efeito motivado pela servidão do negro que, por muito tempo os puniu, consentiu resquícios que ainda hoje permanecem muito fortes.



Diógenes Pereira da Silva – diogenespsilsilva2006@hotmail.com

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